LITERATURA INFANTIL E LETRAMENTO RACIAL: caminhos para a afirmação identitária na sala de aula
DOI:
https://doi.org/10.62556/9cb53q42Palavras-chave:
Letramento Racial. Literatura Infantil. Decolonialidade. Identidade.Resumo
Este artigo descreve o projeto educacional intitulado "Princesas negras existem sim", realizado com uma turma de 3º ano do Ensino Fundamental I (8 a 9 anos) estudantes de uma escola pública. O objetivo central foi desconstruir padrões estéticos eurocêntricos e fortalecer a identidade étnico-racial das crianças por meio da mediação da obra Bucala: a princesa do quilombo da Cabula. A pesquisa fundamenta-se nas “interdições” históricas da cultura negra no espaço escolar e na urgência da aplicação da Lei nº 10.639/2003 no cotidiano institucional. O marco teórico ancora-se no Letramento Racial Crítico e em praxiologias decoloniais. Metodologicamente, adotou-se a pesquisa-ação estruturada em diagnóstico visual, mediação literária, intervenção multimodal e uma culminância afirmativa com música e desfile temático. Os resultados evidenciaram uma ruptura com o "perigo de uma história única", transicionando de um imaginário de realeza exclusivamente branca para o reconhecimento de realezas negras reais e contemporâneas. Verificou-se o fortalecimento da autoestima e do sentimento de pertencimento, legitimando a escola como território de reexistências. A experiência permitiu que os estudantes se reconhecessem como protagonistas de suas próprias histórias e consolidando uma prática pedagógica comprometida com a justiça social e a valorização da diversidade étnico-racial.
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